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As terras do rei
Com a chegada dos portugueses no Brasil, a relação das pessoas com a terra
mudou. Todo o território foi declarado como pertencendo ao rei de Portugal. Era
como se os índios não tivessem direito sobre nada.
Sentindo-se dono do Brasil, o rei de Portugal pegou um mapa e dividiu suas
terras em 14 partes. Cada parte ficou sendo uma Capitania Hereditária. A partir
de 1534, nobres portugueses passaram a receber capitanias para administrar e
delas tirar riquezas.
O Brasil foi dividido entre os portugueses e as terras dos índios foram pouco a
pouco sendo conquistadas.
Capitanias Hereditárias
O Brasil foi dividido em 14 Capitanias Hereditárias, totalizando 15 lotes
doados a figuras importantes da corte portuguesa, chamados de donatários. As
capitanias eram hereditárias porque a terra passava de pai para filho. Os
donatários tinham direitos e deveres como o de conceder sesmarias, que eram
grandes extensões de terras aos colonos.
Capitania de São Vicente
As terras que pertencem a Praia Grande hoje em dia pertenciam antigamente à
capitania de São Vicente que, tempos depois, virou capitania de São Paulo e,
séculos mais tarde, estado de São Paulo.
O rei de Portugal entregou a capitania de São Vicente a um nobre chamado Martim
Afonso de Souza, que esteve aqui, explorando a terra e fundando vilas, entre os
anos de 1532 e 1533. Depois disso, nunca mais voltou. Ficou envolvido com
expedições que iam para as Índias buscar riquezas para vender na Europa. Quem
administrava a capitania era sua mulher, Ana Pimentel, que enviava para cá
outros administradores.
Toda a capitania era administrada por pessoas que viviam na vila de São
Vicente, fundada em 1532. Nesta vila se instalaram os primeiros portugueses que
vieram colonizar a região e que investiram aqui nos primeiros engenhos de
produzir açúcar. Praia Grande, hoje município do estado de São Paulo, pertenceu
à cidade de São Vicente até 1967, quando ocorreu sua emancipação política.
Desde então tornou-se um município independente, com administração própria,
podendo eleger seu prefeito e seus vereadores. Antes disso acontecer, não havia
autonomia para solucionar os problemas. Tudo dependia das decisões da
Prefeitura de São Vicente, que nem sempre atendiam às necessidades da população
que aqui morava.
Emancipação Política de Praia Grande
A emancipação política não aconteceu de repente, nem foi vontade de uma pessoa
só. As pessoas que aqui moravam não estavam contentes com os problemas que
enfrentavam, como a falta de saneamento, escolas, transporte, hospitais,
abastecimento de água, luz, vias de acesso. Por isso, os moradores do bairro de
Solemar viram a possibilidade de se desmembrar de São Vicente e de Praia Grande
ganhar autonomia. Em 1953, Júlio Secco de Carvalho, liderou o movimento
juntamente com Nestor Ferreira da Rocha, Heitor Sanchez Toschi, Israel Grimaldi
Milani e Dorivaldo Loria Junior, entre outros.
Houve muita resistência por parte de São Vicente, pois significava a perda de
24 quilômetros de praias. Foi realizado em 1963 um plebiscito, que é a maneira
pela qual a população faz sua escolha através do voto. Mas isso não garantiu
ainda a emancipação da cidade.
Só em 19 de janeiro de 1967 a emancipação aconteceu. O engenheiro Nicolau Paal
foi nomeado interventor federal no município, com instalação provisória da
prefeitura no Ocian Praia Clube. A primeira eleição municipal na Praia Grande
foi realizada em 15 de novembro de 1968. Tendo como prefeito Dorivaldo Loria
Junior.
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